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Hiperidrose

Hiperidrose

Há muito tempo escrevi uma matéria para a revista UM sobre hiperidrose e resolvi escrever novamente e publicar aqui no portal, pois somente esta semana atendi três pacientes com esta queixa e vi o quanto desconforto causa nos mesmos. Suar além da conta é um drama que atinge cerca de 2% da população, mas boa parte dessas pessoas desconhece os métodos existentes para controlar a sudorese ou então não sabe que tem, de fato, alguma doença.

Em alguns casos, suar muito não é sinônimo de saúde. Denomina-se Hiperidrose, a síndrome caracterizada pelo suor constante em algumas regiões do corpo, principalmente mãos, pés, axilas e crânio-facial. Segundo a Sociedade Internacional de Hiperidrose (IHS), a doença afeta mais de 176 milhões de pessoas em todo o mundo. Os primeiros sinais da doença são registrados no final da infância ou no início da adolescência, quando a pessoa está mais sensível às críticas externas, embora em locais como nuca, tronco e pés ela possa ocorrer já nos primeiros anos de vida.

A hiperidrose independe da temperatura do meio ambiente. Em algumas pessoas aparece em baixas temperaturas ambientais e em outras em altas temperaturas.

Os que sofrem deste distúrbio o percebe em momentos de tensão, ansiedade, situações de pressão psicológica e estresse, como nos períodos de vestibular, em uma entrevista de emprego e várias outras situações. Isso causa grande transtorno à vida do individuo que sofre da hiperidrose. O receio de cumprimentar, andar de mãos dadas, tirarem os sapatos ou tentativas constantes de esconder a marca de suor na blusa. Essas são algumas das atitudes que fazem parte da rotina de quem sofre com a hiperidrose.

Para quem transpira demais, atitudes simples, como digitar no teclado do computador, se espreguiçar ou usar uma sandália aberta, tornam-se um verdadeiro martírio físico e psicológico. Suar além da conta é um drama que atinge cerca de 2% da população, mas boa parte dessas pessoas desconhece os métodos existentes para controlar a sudorese ou então não sabe que tem, de fato, alguma doença.

O problema atinge tanto homens quanto mulheres e os primeiros sinais costumam surgir no final da infância ou começo da adolescência.

Existem 2 tipos de glândulas na pele, as apócrinas e as écrinas. As glândulas sudoríparas apócrinas têm um papel menor na termoregulação (regulação da temperatura corporal), estão associadas ao folículo piloso (de onde sai o pelo) e não estão envolvidas no processo de Hiperidrose.

A hipersecreção das glândulas écrinas é que causam as alterações observadas. As glândulas écrinas estão mais concentradas na axila, palmas e plantas e tem importante papel na termoregulação. O excesso de secreção desta glândula é que causa a Hiperidrose. Existem de 2 a 5 milhões de glândulas écrinas distribuídas por todo o corpo.

É possível classificar a hiperidrose em dois tipos: a primária, de origem genética, e a secundária, desencadeada por outras patologias, como diabetes, febre, obesidade, hipertireoidismo e depressão.

Cerca de 50% (0,5% a 1% da população) dos pacientes que sofrem de hiperidrose primária têm um ou mais parentes de primeiro grau com o mesmo problema. As partes do corpo mais afetadas pelo excesso de suor, que pode aparecer de forma localizada ou generalizada, são as axilas, mãos e pés, regiões com maior número de glândulas sudoríparas. Contudo, ainda pode ocorrer com menor frequência nas costas, barriga, nuca e testa.

Medicamentos neurológicos e psiquiátricos podem desencadear Hiperidrose secundária, morfina e excesso de hormônios da tireóide também. Superdosagens de aspirina ou acetominofen podem causar sudorese. A falta de hormônios femininos na menopausa pode provocar suores, o que ocorre também em homens com déficit de testosterona, embora seja mais raro. A hipoglicemia (baixa taxa de açúcar no sangue) pode provocar sudorese.

O hipertiroidismo, uma doença da glândula tiróide é causa de Hiperidrose Secundária. Várias infecções, como tuberculose, malária e outras podem causar sudorese profusa.

Um aumento de sudorese pode ocorrer em algumas situações cotidianas , sem que isso signifique uma Hiperidrose. Pode haver aumento da sudorese, ao utilizar algumas comidas e bebidas entre elas, muita cafeína ou álcool e comidas picantes. Também é normal um aumento de suor com exercícios, clima quentes e estados de tensão emocional.

– Quase 65% das pessoas que sofrem de excesso de suor têm um parente próximo com o mesmo problema;
– Uma pessoa com hiperidrose sua quatro ou cinco vezes mais do que o necessário para manter a temperatura do corpo;
– 63% das pessoas com excesso de suor se sentem infelizes ou deprimidas;
– 51% das pessoas com hiperidrose afirmam trocar de roupa pelo menos 2 vezes ao dia
– 20% dizem tomar banho pelo menos duas vezes ao dia;
– 33% afirmam passar 15 minutos por dia ou mais tratando dos sintomas.
– Algumas variantes da hiperidrose:

BROMIDROSE – Casos em que o suor tem odor fétido, provocado pela atuação de fungos e bactérias presentes em algumas regiões do corpo, como nas axilas e nos pés. Popularmente são chamados de ‘suvaqueira’ e ‘chulé’.

CROMIDROSE – É o suor colorido (amarelo, cinza, preto, azulado). Chega a provocar manchas nas roupas, na área das axilas, causadas por colônias de microorganismos que se instalam na pele (algumas vezes por conta do estresse emocional). É de origem exógena, provocada pela ação de bactérias cromogênicas, tipo Corynebacterium.

HEMATOIDROSE – É raro. Causado pela hemofilia. Ocorre a partir do rompimento de vasos capilares existentes sob as glândulas sudoríparas. O suor junta-se ao sangue formando a hematoidrose ou hematidrose. É a transpiração de sangue acompanhada de suor.

Tratamentos

O tratamento é feito observando hábitos de higiene: banhos e a troca diária de roupas; uso de desodorantes e de talco para os pés. Mesmo sendo uma doença, a hiperidrose não oferece grandes riscos à saúde, exceto por alguns problemas de pele. O excesso de umidade no couro cabeludo pode desencadear um quadro de dermatite seborreica, já nos pés as micoses interdigitais.

Há diversas opções de tratamento que podem resolver temporariamente ou solucionar o problema de vez, desde o uso de medicações locais até a aplicação de toxina botulínica e intervenção cirúrgica.

Toxina botulínica – O primeiro relato de abolição de sudorese por uso de Toxina Botulínica farmacológica foi feito em um estudo dos EUA, de 1995, onde um voluntário médico, se auto-injetou a toxina botulínica A no subcutâneo do antebraço e conseguiu com isso abolição da sudorese, no local.

A substância pode ser aplicada nas axilas, palmas das mãos ou plantas dos pés, por meio de injeções, no próprio consultório. O procedimento pode ser realizado com anestesia tópica (usa-se pomadas anestésicas) nas axilas e bloqueio troncular quando nas mãos e pés. O procedimento é bem tolerado e indolor. Os resultados finais são alcançados em cerca de duas semanas e a duração do efeito pode chegar a 14 meses em alguns casos, dependendo de cada paciente. A aplicação da Toxina Botulínica na mão, na axila ou em outros locais elimina completamente o suor. O procedimento é realizado sem internação, e o paciente pode retornar as suas atividades normais no mesmo dia. É uma ótima opção para quem nã ;o quer se submeter a métodos mais invasivos, como cirurgias.

A vantagem da Toxina Botulínica, é que apresenta quase nenhum risco, e não é cirurgia, a desvantagem é que não é definitivo.

Simpatectomia – Consiste na ressecção de um segmento do nervo simpático, corrigindo a hiperidrose localizada. É um procedimento hospitalar. A simpatectomia por videotoracoscopia tem sido um método bastante utilizado para o tratamento. Este procedimento pode provocar sudorese compensatória, ou seja, excesso de suor em outras partes do corpo, o que pode acontecer temporariamente – até que o organismo se adapte com o fim da hiperidrose na área tratada – ou até mesmo se tornar um problema contínuo (este é o grande receio de se fazer a cirurgia). É uma técnica eficiente, mas pode ter complicações raras, mas reais, o que torna a decisão por esse tipo de tratamento uma decisão muito séria tanto para o médico como para o paciente.

Um outro efeito colateral potencial é o suor gustativo . Pacientes que desenvolvem esta tipo de problema aumentam o suor quando estão comendo. Isto acontece em aproximadamente 5-10% de pacientes, mas raramente é severo.

Outro problema, felizmente, muito raro, mas que pode ocorrer na simpatectomia é a síndrome de Horner, em que acontece a queda da pálpebra. Esta complicação embora rara é irreversível. Existe um gânglio chamado estrelado, de onde partem fibras nervosas que são responsáveis por manter a pálpebra aberta.

Durante a Simpatectomia Videoendoscópica para Hiperidrose , se retira nervos e ganglios muito próximos deste gânglio estrelado. Por alterações da anatomia ou por progressão do calor da cauterização de vasos e nervos próximos ao gânglio estrelado durante a cirurgia de simpatectomia videoendoscópica, pode ocorrer a lesão inadvertida destes nervos. Tal situação independe da perícia do cirurgião, podendo ocorrer mesmo que haja o máximo de cuidado, muitas vezes por situações inexplicáveis. Embora seja uma situação muito rara, pode acontecer em números que variam de 1 a 5% dos casos operados. Embora rara, é a mais temida complicação da cirurgia de simpatectomia videoendoscópica.

Cirurgia de ressecção das glândulas sudoríparas – Procedimento realizado nas axilas, no qual as glândulas responsáveis pela produção de suor são removidas através de uma cureta que colocada sob a pele remove as glândulas. No pós-operatório é comum ocorrer hematomas.

Clipe de titânio – No lugar de cortar e remover o nervo causador do problema, o nervo é clipado, podendo ser desfeito caso haja insatisfação com os resultados.

Dicas úteis para quem sofre da hiperidrose:

– Evite alimentos que promovem a sudorese, como os muito quentes ou condimentados (sobretudo à base de pimenta),
– Bebidas como o álcool, o café e alguns tipos de chá com cafeína, isso fará o nosso metabolismo acelerar aumentado a quantidade de sangue na superfície da pele e, em conseqüência, a transpiração
– Remédios para a perda de peso, com efeito, termogênico (induzem à queima de gordura)
– A ingestão de proteínas em excesso também desencadeia esse processo.Tanto a carne suína quanto a bovina, vísceras, leite e derivados contribuem para ativar o sistema nervoso simpático”, afirma.
– Para mulheres que usam sandálias e os homens que usam sapatos e transpiram muito, o indicado para controlar a hiperidrose plantar é a Iontoforese.
– Se o paciente também apresentar cheiro desagradável (bromidrose) é indicada a associação de tratamento com medicamentos prescritos pelo médico.
– Os desodorantes indicados para os pacientes que sofrem de hiperidrose nas axilas são os que contêm Cloridrato de Alumínio, substância que tende a minimizar a sudorese. O uso é recomendado sobre a pele seca e, preferencialmente, à noite.

Mesmo se na maior parte dos casos a hiperidrose não for a causa de um sério problema de saúde, em alguns casos ela pode ser a expressão de uma doença mais grave como diabetes, câncer, etc.

É, portanto, fortemente recomendado consultar um médico em caso de transpiração excessiva, principalmente se for generalizada.

Técnicas de Tratamento:

  • Toxina botulínica

 

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